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| 01 de setembro de 2008 | |||||
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Adolescente que levou tapas por corte de cabelo teve febre 7 dias depois. Delegacia já ouviu três testemunhas ligadas ao caso.
Apesar de ter tomado conhecimento das agressões a Samuel Teles da Conceição, de 17 anos, no último dia 20 de agosto, a direção da escola só comunicou o fato à secretaria de Educação de Silva Jardim, na Baixada Litorânea do Rio, na última sexta-feira (29), quando o estado de saúde do adolescente, que já estava hospitalizado, piorou. No dia seguinte, ele faleceu.
A informação é da secretária municipal de Educação Regina Maria da Conceição. A diretora da unidade teria conversado com Samuel, que teria dito que se tratava de uma brincadeira pelo fato de ele ter cortado o cabelo.
saiba mais“Estamos apurando os fatos. A brincadeira teria ocorrido no dia 20. Após conversar com o rapaz, a diretora deu uma advertência para os cinco alunos, mas não comunicou à secretaria por achar que se tratava de apenas uma brincadeira. Na sexta (29) é que comunicou à secretaria porque o estado de saúde do rapaz se agravou. Vamos ouvir o professor, a diretora e todos os envolvidos”, informou a secretária nesta segunda-feira, acrescentando que a diretora teria comunicado o episódio à mãe do rapaz no dia 22.
Cascudos na cabeça A brincadeira, que teria ocorrido numa das salas de aula da escola municipal Vera Lucia Pereira Coelho, tratava-se de cascudos, ou “selinhos”, na cabeça do adolescente. A prima do menino que morreu, Patrícia Teles, disse que os rapazes da escola costumavam dar socos e tapinhas na cabeça quando a criança cortava o cabelo.
“No dia que o meu primo foi cortar o cabelo, eles começaram a dar tapinhas, socos, e ele achou ruim. Então eles pegaram e juntaram mais de dez meninos e começaram a espancar ele dentro da sala de aula”, explicou Patrícia.
Segundo a secretaria de Educação, na última quarta-feira (27), Samuel apresentou febre na sala de aula e foi levado pela própria diretora à policlínica da cidade. De lá, ele foi transferido na sexta-feira (29) para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, subúrbio do Rio. Em nota, a Secretaria estadual de Saúde informou que o adolescente deu entrada na unidade de saúde com um pedido de internação por problema renal:
Mãe do rapaz será ouvida No sábado (30), Samuel teve parada cardíaca e, no domingo (31), seu corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).
Aulas foram suspensas à tarde Samuel foi enterrado no domingo (31), em um cemitério da região. Sua tia, Denaide da Silva, diz que, mesmo depois da agressão, ele continuou indo às aulas e não contou logo para os pais porque tinha medo. “Ele foi ameaçado. Os garotos disseram que, se ele contasse, aí é que eles iam espancar ele mesmo”, afirmou a tia.
As aulas na escola foram suspensas na tarde desta segunda e devem ser retomadas nesta terça-feira (2).
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