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Escola advertiu alunos por ‘brincadeira’ que causou morte de rapaz PDF Imprimir E-mail
01 de setembro de 2008
Adolescente que levou tapas por corte de cabelo teve febre 7 dias depois. Delegacia já ouviu três testemunhas ligadas ao caso.

Daniella Clark Do G1, no Rio


 

Apesar de ter tomado conhecimento das agressões a Samuel Teles da Conceição, de 17 anos, no último dia 20 de agosto, a direção da escola só comunicou o fato à secretaria de Educação de Silva Jardim, na Baixada Litorânea do Rio, na última sexta-feira (29), quando o estado de saúde do adolescente, que já estava hospitalizado, piorou. No dia seguinte, ele faleceu.

 

A informação é da secretária municipal de Educação Regina Maria da Conceição. A diretora da unidade teria conversado com Samuel, que teria dito que se tratava de uma brincadeira pelo fato de ele ter cortado o cabelo.


O caso está sendo apurado pela 120ª DP (Silva Jardim), onde o delegado Dennis Rupert Hathaway Júnior já ouviu três testemunhas até as 14h desta segunda-feira (1). Segundo o delegado, ainda não foi aberto o inquérito porque ainda não foi esclarecido se o crime foi cometido por menores de idade.

 

“Estamos apurando os fatos. A brincadeira teria ocorrido no dia 20. Após conversar com o rapaz, a diretora deu uma advertência para os cinco alunos, mas não comunicou à secretaria por achar que se tratava de apenas uma brincadeira. Na sexta (29) é que comunicou à secretaria porque o estado de saúde do rapaz se agravou. Vamos ouvir o professor, a diretora e todos os envolvidos”, informou a secretária nesta segunda-feira, acrescentando que a diretora teria comunicado o episódio à mãe do rapaz no dia 22.

 

Cascudos na cabeça

A brincadeira, que teria ocorrido numa das salas de aula da escola municipal Vera Lucia Pereira Coelho, tratava-se de cascudos, ou “selinhos”, na cabeça do adolescente. A prima do menino que morreu, Patrícia Teles, disse que os rapazes da escola costumavam dar socos e tapinhas na cabeça quando a criança cortava o cabelo.

 

“No dia que o meu primo foi cortar o cabelo, eles começaram a dar tapinhas, socos, e ele achou ruim. Então eles pegaram e juntaram mais de dez meninos e começaram a espancar ele dentro da sala de aula”, explicou Patrícia.

 

Segundo a secretaria de Educação, na última quarta-feira (27), Samuel apresentou febre na sala de aula e foi levado pela própria diretora à policlínica da cidade. De lá, ele foi transferido na sexta-feira (29) para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, subúrbio do Rio. Em nota, a Secretaria estadual de Saúde informou que o adolescente deu entrada na unidade de saúde com um pedido de internação por problema renal:

“Depois, a mãe disse que ele tinha apanhado no futebol. Fizeram uma tomografia e constataram uma lesão cerebral grande. Ele ficou internado e, na própria sexta-feira, teve morte cerebral”, informou a nota.

 

Mãe do rapaz será ouvida

No sábado (30), Samuel teve parada cardíaca e, no domingo (31), seu corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

O hospital chegou a registrar o caso na 30ª DP (Marechal Hermes), mas o caso será investigado pela 120ª DP (Silva Jardim). O delegado Dennis Rupert informou que já recebeu as informações necessárias para iniciar a investigação. Três testemunhas já foram ouvidas e a mãe também deve prestar depoimento ainda nesta segunda.

“Já estamos ouvindo todos que têm relação com o episódio”, disse.

Segundo o delegado, caso for constatado que o crime foi cometido por um maior de idade, será instaurado inquérito. Já se os autores forem menores de idade, eles responderão por ato infracional atribuído a incapaz.

 

Aulas foram suspensas à tarde

Samuel foi enterrado no domingo (31), em um cemitério da região. Sua tia, Denaide da Silva, diz que, mesmo depois da agressão, ele continuou indo às aulas e não contou logo para os pais porque tinha medo. “Ele foi ameaçado. Os garotos disseram que, se ele contasse, aí é que eles iam espancar ele mesmo”, afirmou a tia.

Muito abalada, a mãe reclama da falta de segurança dentro da escola. “Todas as crianças têm direito de estudar, mas não de ser espancado pelo filho de ninguém”, desabafou ela.

 

As aulas na escola foram suspensas na tarde desta segunda e devem ser retomadas nesta terça-feira (2).

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