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Assista ao vídeo sobre o movimento Educação Já . Participe da mobilização que vai mexer com o Brasil e garantir nosso futuro de justiça. CLIQUE AQUI | Por que a educação não dá voto? - Revista Época |
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| 25 de agosto de 2008 | ||||||
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Uma das verdades mais incômodas da política brasileira envolve um assunto que está na cabeça de pais, professores e estudiosos de todo o país – a pouca importância que o eleitor atribui às propostas para a educação na hora de escolher seu candidato. “Educação não dá voto. Dá reconhecimento”, diz o deputado federal Alceni Guerra (DEM-PR).
FOI A EDUCAÇÃO?
O prefeito Hashimoto, de Campo Limpo, em São Paulo, foi eleito sucessor de Braz (à dir.). No segundo mandato, Braz gastou 63% do orçamento próprio da cidade em educação. Mas ambos acham que o asfalto rendeu mais voto Uma pesquisa inédita, de dois economistas brasileiros da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, ajuda a entender melhor a visão do eleitorado sobre a educação. Depois de investigar minuciosamente gastos, características socioeconômicas e resultados das eleições de 2000 e 2004 em 5.250 municípios brasileiros, os pesquisadores Leonardo Bursztyn e Igor Barenboim descobriram que, nas cidades pobres onde se gastou mais com educação, os prefeitos tiveram menos chances de se reeleger ou de fazer sucessor. Dois resultados chamam a atenção: 74% dos municípios pobres onde os prefeitos aumentaram mais o investimento em educação que os gastos com assistência social não se reelegeram nem emplacaram seus partidos ou coligados. Em compensação, nas cidades pobres onde os gastos com transferência de renda subiram mais, 65% dos prefeitos se reelegeram ou fizeram sucessor. Conclusão: dinheiro no bolso parece contar mais do que filho na escola. A proposta inicial do trabalho de Bursztyn e Barenboim, intitulado “Educação ganha eleições?”, era responder a uma pergunta intrigante: por que um país como o Brasil, onde 100% das pessoas reconhecem as deficiências da educação e sua importância para o futuro do país, enfrenta tanta dificuldade para resolver o problema? Os dois estudiosos lembram que a lista de causas é grande e complexa, mas que, na hora do voto, a decisão é definida pelo horizonte econômico do eleitor. Nas cidades pequenas, que formam a maioria dos municípios brasileiros, leva-se uma vida de dinheiro curto e orçamento controlado, em que o salário mínimo chega a ser quase um privilégio, e metade do eleitorado sobrevive com renda média de R$ 100 por mês ou até menos. “Nessa situação, se puder escolher entre ganhos futuros e respostas para os problemas imediatos, o eleitor sempre ficará com a segunda opção”, diz Bursztyn. Outro dado contribui para a permanência dessa situação. A experiência ensina que as famílias de gente com baixa escolaridade – e que teriam mais necessidade de boas escolas – são aquelas que menos valor atribuem à educação. A história do sociólogo Florestan Fernandes, um dos mais festejados intelectuais da esquerda brasileira, é um bom exemplo disso. Ele foi criado por uma mãe que não sabia ler nem escrever. Ela queria que seu filho interrompesse os estudos – em que seria consagrado – e fazia o possível para que ele parasse de perder tempo e começasse a trabalhar para pagar as contas no fim do mês. “Os mais pobres tendem a ter menos anos de estudo e a valorizar menos ainda o que eles mesmos não tiveram”, diz Barenboim. 65% dos municípios pobres onde as transferências de renda cresceram mais do que os gastos em educação reelegeram o prefeito Embora os argumentos a favor da boa educação tenham a idade dos regimes republicanos, não param de surgir novas descobertas para confirmar sua validade. Sabe-se hoje que as boas escolas criam cidadãos autônomos, mais produtivos e menos dependentes e recorda que ali funciona a regra do quanto mais cedo, melhor. “Não existe investimento com retorno social maior do que investir na primeira infância. Ele só não é alto do ponto de vista eleitoral porque, para começar, criança não vota”, diz o economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio. As propostas do movimento Todos pela Educação podem ser um bom começo para levar a educação ao topo da lista de prioridades. O que fazer para resolver As dicas para tornar a educação uma prioridade dos políticos COBRE da Secretaria de Educação a divulgação do planejamento do ano letivo da rede pública. Ele deve ter no mínimo 200 dias e um mínimo de quatro horas de aula por dia ACOMPANHE as atividades de prefeitos e vereadores. Eles devem deixar claro como o município pretende garantir o direito à educação de qualidade para cada aluno AVALIE se o secretário municipal de Educação foi escolhido por sua competência ou por outros critérios, como afinidade, parentesco ou indicação política ACESSE o portal De Olho na Educação (www.deolhonaeducacao.org.br). Lá, é possível gerar um boletim da situação educacional por municípios (Brasil, região e Estado também) e, em breve, das escolas públicas de todo o país CONFIRA o desempenho do município em exames como o Ideb e das escolas municipais na Prova Brasil Investimento ingrato? Dos 25 prefeitos que mais aumentaram o investimento em educação entre 2000 e 2004, apenas quatro conseguiram se reeleger ou fazer seu sucessor
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