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Federação das Indústrias do Rio de Janeiro cria novo índice de desenvolvimento e mostra que investimento em educação é indicador que muda a vida das pessoas. Em Indaiuatuba (SP) esse investimento está ajudando a cidade a se tornar a melhor do Brasil
Desenvolvimento ainda é concentrado
Oitenta e sete dos 100 municípios com os melhores indicadores de emprego, educação e saúde estão no interior de São Paulo, segundo ranking elaborado pela Firjan. Brasília perdeu posições entre 2000 e 2005
Luís Osvaldo Grossmann
Da equipe do CorreioBraziliense
É no interior de São Paulo que se concentram os melhores indicadores de emprego, educação e saúde do país. O predomínio do estado mais rico do Brasil é evidente num novo ranking de desenvolvimento, feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), com base em números dos 5,5 mil municípios. As cidades paulistas não só lideram, com as 20 primeiras posições do ranking, como são 87 entre as 100 melhores.
São municípios que têm cerca de 300 mil habitantes. Indaiatuba, com 180 mil, está no topo da lista, mas há espaço para pequenos como Gavião Peixoto, onde vivem pouco mais de 4 mil pessoas. Metade dos 100 melhores tem menos de 100 mil habitantes. “Recursos são importantes, mas a gestão é fundamental. E, em geral, as cidades menores podem planejar melhor, até porque sofrem menos com a migração”, diz a especialista em educação básica e consultora do Ministério da Educação, Cleuza Repulho.
Embora a força econômica de muitas cidades seja clara, o índice desenvolvido pela Firjan não permite que uma cidade se destaque apenas em um dos indicadores. “Não adianta estar bem num único quesito. Nenhuma variável pode, sozinha, responder pelo avanço ou recuo de um município no ranking”, explica o chefe da divisão de estudos econômicos da federação, Patrick Carvalho.
Os dados são oficiais dos ministérios envolvidos (Trabalho, Educação e Saúde) e apesar da proposta de divulgação anual, a defasagem é de três anos. Com o lançamento do índice, os números apresentados são de 2005, mas há uma comparação com um ranking construído com as informações de 2000. Nesses dois retratos, vê-se que nove de cada 10 municípios melhoraram seus indicadores, ainda que de forma mais concentrada no Sul e no Sudeste. O ritmo também varia muito. Brasília andou mais devagar que a esmagadora maioria e perdeu posições (leia ao lado).
Já entre os 100 piores municípios, 86 estão nos estados da Bahia, Maranhão e Piauí, o que, apesar da “capilaridade do desenvolvimento” apontado pela Firjan, mostra que as diferenças regionais continuam. Tanto assim, que entre os 500 primeiros municípios do ranking, 480 estão no Sul ou Sudeste. Entre os 500 piores, 421 ficam no Nordeste.
O trabalho da Firjan insiste no “irrefutável progresso das cidades brasileiras na primeira metade desta década”. E, de fato, foi um período importante. Entre 2001 e 2005, o grau de desigualdade de renda no Brasil declinou de forma acentuada e contínua, atingindo o nível mais baixo dos últimos 30 anos. O coeficiente de Gini, clássica medida de desigualdade, recuou 4,6% nesse intervalo de anos, num ritmo acelerado que encontra pouco paralelo na comparação internacional.
Segundo dados do IBGE, entre 2000 e 2005, a taxa de mortalidade infantil caiu 14,3%, em média, no país — no Nordeste, os ganhos foram ainda mais significativos, acima de 15% e 16%. Para o instituto, isso refletiu a melhoria de acesso da população aos serviços de saúde, as campanhas nacionais de vacinação, o aumento do número de atendimentos pré-natais, bem como o acompanhamento clínico do recém-nascido e o incentivo ao aleitamento materno. Deve-se, ainda, ao aumento do nível da escolaridade e aos investimentos em infra-estrutura de saneamento básico.
Dito isso, convém ressaltar que o casamento de indicadores tão distintos mistura condições estruturais e conjunturais. O avanço do Brasil em saúde e educação se deve muito mais aos ganhos acumulados em 20 anos, ainda que em ritmo mais forte entre 1995 e 2005, como é o caso do ensino. “O progresso educacional nos últimos 10 anos foi mais de duas vezes o observado nos 10 anos anteriores”, diz um estudo do Ipea publicado em 2007.
Em saúde, mudanças mais significativas exigem a passagem de uma geração. Programas como Saúde da Família ou de Agentes Comunitários de Saúde fazem diferença, especialmente no atendimento básico. Mas o país ainda trabalha para consolidar o Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988.
“Há avanços. Hoje todos os municípios têm secretário de Saúde e há um financiamento mínimo assegurado”, diz a epidemiologista e especialista em saúde pública Fabíola Nunes, chefe do escritório regional da Fiocruz no DF.
Diferentemente desse lado estrutural, os dados sobre emprego e renda reagem a curto prazo e são os que mais claramente podem ser alterados de um ano para outro. “É uma proposta interessante, mas temos que lembrar que saúde e educação são estáveis. O que mais varia é emprego e renda”, diz Antônio Ibarra, do Dieese.
Avanços na capital são mais lentos
A grande maioria (87,9%) dos municípios registrou avanço nos indicadores de saúde, educação, emprego e renda entre os retratos de 2000 e 2005, feitos pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). A capital do Brasil, porém, andou mais devagar. Entre as cidades em geral, perdeu 47 posições. Primeira entre as capitais em 2000, caiu para 5º lugar.
Entre os dois anos da pesquisa, o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) de Brasília passou de 0,7653 para 0,8280 (o indicador vai de 0 a 1), o que significa um crescimento de 8,2%. Não é um desempenho ruim, mas foi bem mais lento que a média nacional (19,7%) e menos da metade da média das capitais (16,6%). Entre essas, Brasília foi ultrapassada por Curitiba (PR), Vitória (ES), São Paulo (SP) e Florianópolis (SC).
Isso não quer dizer que a cidade ficou pior. Na verdade, os indicadores de Saúde e educação continuam muito superiores à média nacional. A taxa de abandono escolar é de 2,5%, contra 7,5% do país, a proporção de docentes com curso superior (80%) também é maior que a média geral (65,7%). O número de óbitos de causas mal definidas é restrito a 3,4% dos casos, contra 12% no Brasil, assim como a capital também é melhor na taxa de óbitos de menores de cinco anos por causas evitáveis (9,4% contra 14,6%).
Nada disso impediu, porém, que, no ranking com os 5,5 mil municípios, Brasília tenha caído da 683ª posição para 706ª em educação, e da 1.491ª para 1.761ª em saúde. No quesito emprego e renda, a troca de lugar no ranking foi menor — de 19º para 50º — , mas também existiu. “Brasília tem o terceiro maior desemprego entre as regiões metropolitanas e apesar da maior renda per capita, é também a região com a maior desigualdade do país”, lembra o coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese, Antônio Ibarra.
Enquanto o país teve entre 2000 e 2005 o maior avanço na redução das desigualdades, o Distrito Federal caminhou em sentido contrário. Em 2006, a capital teve o pior índice de Gini do Brasil, superando cidades como Recife e Salvador. A justificativa estaria na diferença de rendimentos entre o topo do funcionalismo e a pobreza nas cidades satélite. (LOG)
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